As 11 habilidades que o mercado exige e que as universidades no exterior ensinam

Para alcançar uma boa colocação profissional em um mercado cada vez mais competitivo como o nosso, possuir um diploma de uma reconhecida universidade brasileira ajuda, mas muitas vezes não é o suficiente. Isso porque há certas habilidades exigidas por grandes empresas que as universidades daqui, seja por uma questão estrutural ou cultural, ainda penam para desenvolver junto a seus alunos.

É aí que entram as universidades americanas. Com grades curriculares inteligentes, um ambiente rico em diversidade, uma política de forte estímulo a atividades extracurriculares, além de uma cultura profissional que permeia toda a graduação, as universidades dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido conseguem oferecer aos seus alunos um terreno fértil para que possam desenvolver diversas competências que depois farão a diferença durante a carreira profissional.

Revista Alfa enumerou 11 delas, e a Daquiprafora mostra como as universidades no exterior podem ensinar tais competências. Veja-as a seguir:

1 – Ser multicultural. Em um mundo cada vez mais globalizado, fatalmente você terá que conviver com chefes e colegas de trabalho de outras nacionalidades. Pode parecer que não, mas saber se relacionar com pessoas que possuem diferentes costumes é algo a ser aprendido.

Nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, você adquire essa habilidade desde a graduação. Isso porque cerca de 5% dos alunos nas universidades americanas são estrangeiros, oriundos de países dos cinco continentes. Enquanto nas universidades brasileiras a presença de um estudante ou professor de outro país é vista como algo exótico, nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido trata-se da coisa mais comum do mundo. Lá, você assiste a aulas com um professor coreano, joga futebol com um amigo espanhol e divide quarto com um colega indiano. Assim, quando chegar ao mercado de trabalho, se relacionar com gente de outras nacionalidades não será uma dificuldade.

2 – Trabalhar em equipe. A realidade é cruel: na vida profissional você terá que se envolver em projetos com gente que pensa diferente de você e isso exigirá habilidade. Uma boa oportunidade de se preparar para essa situação durante a graduação seriam os trabalhos em grupo. O problema é que no Brasil a cultura da “panelinha” ainda prevalece – você sempre vai se juntar aos seus melhores amigos, que naturalmente pensam parecido com você.

Já nos EUA não é assim. Isso porque nos dois primeiros anos, não há divisões por cursos como no Brasil, e todo mundo passa pelas mesmas aulas – o aluno só poderá escolher sua especialização, seja ela administração, história ou engenharia, mais tarde. Dessa forma, você terá que necessariamente conviver com estudantes de perfis diferentes do seu. Há ainda o fato de que as turmas no início da universidade variam bastante, o que inibe a cultura da “panelinha”. Com todas essas condições, o aluno de uma universidade americana é praticamente obrigado a aprender a negociar o trabalho em equipe.

3 – Networking. No Brasil, existe ainda certo pudor na atitude de se aproximar de outra pessoa com uma “segunda intenção”, isto é, com o objetivo de expandir sua rede de contatos profissionais. E as universidades daqui pouco fazem para desmistificar essa prática.

Já nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido trata-se de algo completamente cultural. Sempre que há a oportunidade, as pessoas são incentivadas a se apresentar umas às outras e trocar cartões. Além disso, as universidades americanas vivem em meio a um turbilhão de eventos, como debates e palestras, que surgem como ótimas oportunidades para se conhecer novas pessoas. Há ainda por lá a forte cultura dos student clubs, que força o aluno envolvido a estar o tempo todo se relacionando com pessoas de diferentes áreas, em uma prática constante de networking.

4 – Ser interdisciplinar. Não basta a um bom profissional de hoje em dia possuir somente o conhecimento de sua área específica de atuação. Ele precisa demonstrar um mínimo de domínio de habilidades também em outras áreas. Um engenheiro que constrói pontes, por exemplo, precisa ainda dispor de certo conhecimento em economia para saber das conseqüências econômicas que a obra trará para a região. Ou ainda conhecer minimamente de política para poder prever os impactos sociais causados junto às comunidades do entorno.

A preocupação com a interdisciplinaridade é a essência das universidades americanas, canadenses e britânicas. As grades curriculares são projetadas justamente para conferir aos alunos um mínimo de conhecimento nas áreas consideradas mais importantes. Nos dois primeiros anos de faculdade, todos os alunos seguem o ciclo básico, em que farão matérias como inglês, escrita, psicologia, sociologia, história, entre outras. Dessa forma, quando estiverem no mercado de trabalho, serão profissionais bem mais completos.

5 – Falar em público. Cargos de destaque vão exigir que o profissional saiba se expressar bem em público. Seja em uma apresentação para possíveis clientes, seja em uma reunião apenas para os chefes, os momentos em que você será submetido a essa situação são vários e freqüentes.

As universidades americanas, canadenses e britânicas sabem disso. E por essa razão fizeram da disciplina public speaking obrigatória na grade curricular. Para além dessa aula, durante a graduação o aluno ainda é bastante estimulado a passar por situações em que precisa falar em público, como em seus student clubs, na organização de eventos da faculdade, em palestras e seminários. Dessa forma, ele não sentirá dificuldades com essa habilidade quando ingressar no mercado de trabalho.

6 – Como escolher a carreira. Recebido o diploma, surge uma nova interrogação: como direcionar sua carreira? No Brasil, as universidades não costumam se preocupar em fornecer ao aluno uma orientação profissional para essa nova fase da vida. Já nos Estados Unidos e Canadá, isso é estrutural.

Toda faculdade americana possui um Career Center, que é onde os alunos vão não só para tirar dúvidas sobre o início da carreira profissional, mas também para participar de feiras de profissões, revisar currículos e até fazer simulação de entrevista. Além disso, é bastante tradicional os professores receberem alunos fora do horário de aulas apenas para conversarem sobre a vida pós-universidade.

7 – Liderar e gerir pessoas. Por ser uma prática absolutamente arraigada nos EUA e Canadá, é quase que certo que durante a graduação você se envolverá com algum dos inúmeros student clubs ou grêmios estudantis que existem nas universidades americanas. Para se ter uma ideia, algumas delas chegam a ostentar mais de 200 desses clubs.

Dessa forma, não faltam oportunidades para que você se engaje em projetos em grupo, e assim desenvolver habilidades como inteligência emocional, capacidade para delegar tarefas e motivação de pessoas. Trata-se de atributos que hoje são extremamente exigidos no mundo corporativo.

8 – Contratar.Em sua trajetória profissional, provavelmente chegará o momento em que precisará recrutar um profissional. Para desempenhar bem essa tarefa, você deverá saber minimamente avaliar características alheias, tarefa não lá muito simples. Enquanto estudante estrangeiro em uma universidade americana, canadense ou britânica, uma das características que você mais deve desenvolver é justamente a capacidade de observação. Afinal, tudo lhe será muito novo, e é natural que você passe a ser muito mais observador do que o era em seu próprio país. O estudante brasileiro, quase certamente, passará por gafes como dar beijo no rosto ao invés de estender o braço para um aperto de mão na hora de cumprimentar, ou até ir para um churrasco levando bife quando na verdade os americanos comem hambúrguer e salsicha. Tendo passado por experiências do tipo, o aluno internacional começa a observar o comportamento dos outros. Além de perceber comportamentos, você começará a perceber perfis: você começará a ver quem é planejador, quem é criativo, quem é executor. No futuro, você terá bem menos dificuldade quando precisar analisar o perfil de candidatos durante um recrutamento.

9 – Negociar. O estudante internacional já pisa nos Estados Unidos, Canadá ou Reino Unido tendo que negociar: desde convencer o oficial da imigração de que a intenção dele é só estudar  e depois voltar ao Brasil, até lidar com o colega de quarto que, provavelmente, será de um outro país. Não é à toa que dizem que uma experiência no exterior ajuda muito alguém a se amadurecer.

Além disso, como já dito anteriormente, não há a cultura da “panelinha”. Constantemente o aluno será impelido a trabalhar com pessoas com perfis muitas vezes opostos aos seus, fato que lhe oferecerá ocasiões propícias para desenvolver suas habilidades como negociador. E o mercado deseja avidamente profissionais assim.

10 – Ler ambientes. Para uma boa adaptação a uma empresa, é preciso estudar muito bem sua cultura organizacional, sentir o clima, perceber o funcionamento das regras não-escritas, para só então conseguir dar o melhor de si. Isso leva tempo e requer habilidade.

Ao viver em um país estrangeiro, você necessariamente precisará passar por um processo de adaptação a uma cultura diferente, tendo que muitas vezes adequar seu comportamento. Quando ingressar no mercado de trabalho, o desafio de ser flexível e adaptável já não será mais novidade e você terá mais “jogo de cintura” para entrar e sair de situações complicadas.

11 – Portar-se em uma reunião. Os colleges clubs, já mencionados acima, e nos quais você provavelmente irá participar ao estudar nos EUA e Canadá, são espaços bem estruturados e demandam formas de organização bastante similares a de uma empresa, como, por exemplo, as reuniões. Nelas, há chamadas, pautas, relatoria, e todos são instigados a adotar uma postura participativa – algo que as empresas estimulam cada vez mais junto a seus novos funcionários. Tendo passado por uma universidade americana, isso não será mais um tabu para você.

Se você busca se tornar esse tipo de profissional mais completo, pense mais em fazer faculdade nos Estados Unidos, Canadá ou Reino Unido. Há um mundo de oportunidades para você!



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