Entrevista Rodolpho Moreira – a vida de um atleta da natação em uma universidade dos Estados Unidos

O nadador paulistano Rodolfo Moreira está indo para seu segundo ano na University of Utah, onde tem uma bolsa completa para competir pela instituição. Em apenas dois semestres de experiência universitária, Rodolfo já tem bastante história para contar. Em entrevista gentilmente cedida à Daquiprafora, Rodolfo conta um pouco sobre como está sendo a experiência dele por lá.

DPF: Você obteve muito destaque na carreira de junior no Brasil. Por que optou por ir treinar em uma universidade americana?

RM: Os principais motivos de eu ter escolhido fazer faculdade nos EUA foram as oportunidades e a maneira saudável que lá se consegue haver um balanço entre a natação e a vida acadêmica. Também sempre tive muita vontade de morar lá (estudando ou não), então, de uma certa forma, é um sonho que veio a se tornar realidade.

DPF: Vemos muitos garotos e garotas escolhendo treinar no Brasil ao invés de irem para faculdades nos EUA. Você já passou pelos dois sistemas. Em sua opinião, o atleta pode desenvolver mais em uma faculdade americana ou treinando no Brasil? Quais as principais diferenças entre os sistemas?

RM: Depende muito do atleta. Se for alguém que está disposto a ficar longe de casa por muito tempo e que tem uma saúde mental boa pra aguentar o processo de adaptação lá, com certeza o atleta vai se desenvolver muito mais no esporte lá do que aqui no Brasil. A principal diferença é obviamente a infraestrutura que nos dão lá. Tem muitos poucos clubes que proporcionam toda a atenção que dão pros atletas quando comparando com os EUA. Como falei também, ter a sua vida acadêmica junta com a do seu esporte de uma maneira eficiente é muito importante lá. No Brasil é muito comum ver técnicos que não gostam que o atleta de alto nível chegue mais cedo ou fique até mais tarde para treinar. Lá você leva bronca do técnico e pode perder privilégios se você não fizer o inverso porque “o treino é mais importante”. 

 

DPF: O que a faculdade dá para os nadadores em termos de material esportivo?  

RM: Dão o pacote completo. A gente ganha todo tipo de material de natação, e muitas peças do uniforme do time da Universidade. Se alguém quiser viver vendendo o que a universidade dá para você, tenho certeza que dá pra dar um jeito, haha.

DPF: Qual foi a maior dificuldade que você teve no começo? Como fez para se adaptar?

RM:  Não tive muita dificuldade com o processo de adaptação lá. Cheguei falando um nível de inglês alto, então pra falar com os técnicos, staff da universidade, professores e colegas de equipe foi tudo muito tranquilo. A única coisa que eu lembro ter um pouco de dificuldade foi em recomeçar os estudos. Depois que eu acabei o ensino médio no Brasil, parei de estudar até ir pros EUA, foram oito meses especialmente dedicados à natação. 

DPF: Quais são, em sua opinião, os principais ganhos de se fazer faculdade nos EUA como nadador?

RM: Amizades, sem dúvida. O ambiente da equipe lá é muito bom, todo mundo se dá bem e raramente temos problemas entre nós do time. Também tem toda a atenção e privilégios que os atletas de universidade ganham em comparação com um estudante comum. 

DPF: Você chegou a nadar contra alguns destaques da natação mundial, atletas que participarão de olimpíadas no futuro?

RM: Cheguei a nadar com nadadores muito rápidos lá. Os revezamentos de universidades como a Florida Gators, California, North Carolina State, University of Texas são fortíssimos. Tinha também um amigo dentro da equipe que estava entre os 10 melhores do mundo na prova de 50m costas na piscina curta. Sem falar que, na competição nacional, esse mesmo amigo abriu nosso revezamento na final B para o terceiro melhor tempo da história dos EUA nas 50 jardas costas. 

DPF: Pode descrever um pouco do seu dia a dia, sua rotina, na universidade? 

RM: Acordar, treinar, comer, estudar, comer, estudar, dormir, treinar. Basicamente é isso todo dia. Depois do treino da tarde, deixo de lado a escola e fico fazendo o que eu quero até a hora de dormir de novo.

DPF: Você acha que a Daquiprafora foi importante para seu processo? No que a Daquiprafora te ajudou?

RM: Com certeza. Eles que me explicaram todo o processo e me deram objetivos para que eu pudesse estar lá hoje. Me colocaram em contato com alunos que já estudaram na Universidade de Utah e me ajudaram com todo o processo de documentação. Só tenho a agradecer pela ajuda que me deram!



Comentários