Tudo o que você precisa saber sobre faculdade de Cinema nos Estados Unidos

Muita gente tinha receio de se aventurar em cursos pouco convencionais. Só que o mundo mudou e essas profissões “diferentes” se tornaram promissoras e, portanto, superconcorridas. A opção por “Cinema e Audiovisual” é o maior exemplo disso. A procura por esse curso vem crescendo no mundo todo.

E para se dar bem nessa profissão, nada melhor que fazer a formação no principal produtor de Cinema mainstream do mundo, os Estados Unidos. As universidades americanas oferecem a melhor estrutura que o aluno pode ter nessa área, além da proximidade com estúdios e profissionais do conceituadíssimo mercado de lá. Há diversas universidades americanas são formadoras de alguns dos mais conhecidos diretores de cinema do mundo. A American Film Institute, em Los Angeles, teve como alunos Terrence Malick e Darren Aronofsky; a University of Southern California, tem entre seus ilustres ex-alunos os diretores George Lucas, de Star Wars, Ron Howard, de Uma Mente Brilhante, e o produtor Jon Landau, de Avatar. Steven Spielberg estudou na California State University – Long Beach e Kathryn Bigelow estudou na Columbia University School of Arts.

Muita prática

“Eu tentei fazer Cinema no Brasil. Fiz faculdade por meio ano em Curitiba, mas não estava satisfeita com a frequência e com o nível das aulas. Nos EUA, as universidades oferecem um ensino bem mais abrangente, além de permitirem que você escolha suas próprias aulas e professores e monte seu horário, e isso é ótimo”, compara Raquel. “Eu conhecia um menino que conseguiu uma bolsa de estudos e estava em Minnesota. Os pais dele conversaram com os meus pais e decidimos que era hora de tentar uma bolsa também”, conta Raquel Bordin, que está no terceiro semestre na Grand Valley State University, em Michigan.

E ela não se arrepende da decisão. “Os recursos fazem toda a diferença por aqui. Minha faculdade é equipada com 21 laboratórios com uma enorme variedade de softwares (Final Cut, After Effects, Flash, Photoshop…), que aprendemos a usar para fazer os trabalhos do curso. O prédio do departamento de Comunicações tem um andar com várias salas exclusivas para edição. Nesse mesmo prédio qualquer aluno de Cinema pode reservar, sem custo algum, equipamentos de filmagem”, diz Raquel.

“Aqui os alunos são cercados de oportunidades para aplicar o conteúdo das aulas. A minha universidade tem mais de 300 organizações estudantis, e uma delas é um canal de televisão, Grand Valley Television. Vários alunos de Cinema se organizam para filmar episódios de séries, documentários e programas de notícias, que são transmitidos no canal da faculdade. Além disso, os professores costumam mandar e-mails com oportunidades de estágio, convites para trabalhar em projetos e palestras que podem ser úteis para os alunos”, atesta Raquel.

“Eu acredito que aqui nos EUA, as universidades se preocupam muito mais com o futuro dos alunos. Há orientadores para auxiliar os estudantes com o planejamento das aulas, oportunidades de estágio, intercâmbios em universidades estrangeiras, possíveis bolsas de estudo, etc. Sinto que estou aprendendo muito e sei que são aprendizados que irão abrir muitas portas no futuro, como o domínio dos softwares que os profissionais do ramo usam, por exemplo. Mas a vantagem mais importante é poder usar os equipamentos e filmar, aprendendo na prática. O ensino aqui é abrangente o suficiente para preparar o aluno para diferentes áreas de atuação e isso faz toda a diferença”, avalia Raquel.

Acesso ao mercado de trabalho

Para conseguir uma boa vaga no mercado de trabalho nessa área, todos sabem que precisam sair da faculdade com um portfólio bem completo. Por isso, fazer a formação nos EUA é um grande negócio. Lá os estudantes têm acesso a materiais e equipamentos que permitem que ponham a mão na massa, além de estar perto dos grandes estúdios de cinema, o que abre possibilidades para excelentes estágios. “Uma das maiores vantagens de estudar Cinema nos Estados unidos é que você está bem próximo do mercado mais importante da indústria cinematográfica mundial. Ou seja, seus professores, seus colegas de classe e toda a rede de relacionamento (networking) será muito relevante para sua experiência e para indicações futuras”, conta Leandro Caires, formado em Cinema na Emerson College, em Boston.

Leandro diz que o portfólio é realmente o que mais importa ao final do curso. “O portfólio é fundamental nesta área. Neste mercado, as pessoas querem ver seus projetos, seus vídeos/fotografia/curta-metragens, os prêmios concorridos e os vencidos”, explica. “O importante é correr atrás de experiências (estágios e trainee) ANTES de se formar. Você precisa ter experiência administrativa e prática. Durante a faculdade eu estagiei em diversas produtoras locais, ganhei um estágio no Festival de Cannes (França), concorri e ganhei alguns prêmios da indústria para universitários, e finalizei os créditos da faculdade através de um estágio nos estúdios de Warner Bros na Califórnia, que foi algo que corri atrás. Liguei para eles em busca de uma oportunidade e consegui. Tem que ser assim”, aconselha. Depois da experiência na Warner, Leandro já produziu 3 filmes no Brasil, abriu sua própria produtora (Social Filmes), trabalhou na distribuidora nacional Imagem Filmes e hoje é consultor no departamento de conteúdo da Vivo.

Além de todas as oportunidades que o estudante de Cinema tem enquanto faz o curso nos EUA, depois de formado ele ainda recebe um visto, o OPT (Optional Practical Trainning), que dá direito a trabalhar durante um ano por lá. É mais uma excelente chance de adquirir experiência internacional no melhor lugar do mundo para profissionais dessa área.

Para quem pensa em voltar para o Brasil depois de formado, o segredo é começar cedo a fazer contatos. “A entrada no mercado brasileiro não será fácil se você não tiver um link com o Brasil. Se a sua intenção é voltar para o mercado brasileiro, então nas férias procure estágios nas produtoras, nas emissoras e nas distribuidoras que existem no Brasil”, recomenda Leandro, que fez exatamente isso: trabalhou em um filme brasileiro e fez um curso de especialização nas férias.

Outra vantagem do curso nos Estados Unidos é o ambiente multicultural. A Grand Valley State, onde Raquel estuda, é um bom exemplo disso: “A minha faculdade se preocupa bastante com diversidade, por isso adora acomodar estrangeiros. É um contato ótimo. Eventos internacionais não faltam! Há mais de 300 alunos do mundo inteiro aqui. Alguns estudam só por um semestre ou um ano, mas vários são como eu e estão aqui por 4 anos. Contando comigo são 5 brasileiros na minha universidade. Acho que toda diversidade tem uma contribuição positiva por abrir nossa mente para novas perspectivas.”

Carlos Rocha, dono da Kinomaxx, principal empresa de comercialização de publicidade em cinemas no Brasil, acha fundamental a formação nos EUA: “A infraestrutura lá fora é bem melhor. O jovem formado fora é muito bem visto pois já passou por experiências que ainda nem chegaram no Brasil. Eles têm “visão de futuro”.



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