Soft Skills e o recrutamento das empresas
Você cursou uma das melhores faculdades, no Brasil ou no exterior, foi um estudante comprometido, sempre tirou ótimas notas, e agora chegou a hora de encarar as entrevistas de emprego. Nada de insegurança, afinal, você fez tudo certo, como manda a cartilha do bom universitário.
Mas será que está tudo certo mesmo? Boas notas em uma universidade conceituada é o que as empresas mais valorizam na hora de recrutar jovens colaboradores?
Conversamos sobre isso com Marcelo Nóbrega, Top RH influencer da América Latina no ambiente do LinkedIn, um dos mais respeitados profissionais de RH no Brasil, autor do livro “Você está contratado!”, um verdadeiro guia para alcançar o emprego dos sonhos.
Nesta conversa, Marcelo destacou o olhar do recrutador para as soft skills, ou habilidades comportamentais do candidato. Sendo assim, ele explicou a importância de adquirir essas habilidades durante a vida universitária e como o sistema de ensino e a estrutura das universidades americanas favorecem esse desenvolvimento.
Soft skills x habilidades técnicas
A parte técnica é a primeira função do curso universitário. A empresa também tem o lado técnico muito forte. Afinal, é por meio dele que ela consegue vender seus produtos e serviços. Uma vez dentro de uma empresa, você vai aprender muito mais do aspecto técnico com os profissionais com quem vai conviver lá. Então, as habilidades técnicas são importantes porque colocam o candidato no campo de jogo. Mas para ganhar a partida ele precisa do comportamental.
Me perguntam muito se eu olho as notas do candidato. Não, praticamente não me interessam. Se você fechou o curso, foi aprovado, você cumpriu com os requisitos básicos da parte técnica e isso é o que importa. Eu vou olhar outras coisas. Meu foco é o que você viveu naquela experiência de 4 anos durante a universidade. Isso vale tanto para um aluno que estudou no exterior quanto para alguém que estudou no Brasil.
No mundo corporativo hoje, versatilidade, flexibilidade e adaptabilidade são fundamentais. É o que eu procuro. E isso está diretamente relacionado às experiências vividas. Há inúmeras possibilidades de enriquecer essas experiências na universidade.
Pra mim, é fundamental o estudante buscar se tornar um profissional mais versátil, capaz de se adaptar à realidade que muda todos os dias no nosso ambiente de negócio atual. Tem muita novidade acontecendo.
A gente hoje lida no dia a dia com o mundo inteiro, pessoas que trabalham e vivem em países muito diferentes do nosso. Então, como a gente se prepara para essa mudança permanente? É se expondo às mudanças, buscando ambientes novos enquanto você está na universidade.
As vantagens das universidades americanas
O que eu valorizo na hora de selecionar é a riqueza de experiências do candidato, especialmente ao longo dos 4 anos do curso universitário.
Fez esporte, participou do grêmio estudantil, trabalhou voluntariamente em ações na universidade, atuou na comunidade, fez estágios, trabalhou? Eu vejo esse todo. E o ambiente universitário nos Estados Unidos dá mais espaço para essas coisas acontecerem.
A carga horária curricular na universidade americana é menor e isso possibilita que os alunos dediquem mais tempo a atividades fora da sala de aula, que podem ser projetos acadêmicos ou atividades como o grêmio, esporte, organizações estudantis, estágio, até empreender.
As universidades americanas têm inúmeros grupos de afinidades, também conhecidos como clubs. Há os de etnias, como os hispânicos, por exemplo, ou os de interesse, que pode ser futebol, xadrez, moda, cinema… tem grupo de debate, de política, de todos os tipos. E você pode criar um novo, o que mostra um diferencial de liderança.
Em qualquer um desses grupos, o aluno vai se expor a pessoas diferentes, com ideias e culturas diversas, vai conversar, vai aprender, vai entender a perspectiva de vida deles e ainda vai se aprofundar naquele tema.
Participar de equipes esportivas (na universidade ou na comunidade) também é interessante. Desenvolve habilidades importantes como disciplina, liderança, tolerância e trabalho em equipe.
Cursos no Brasil x nos EUA
Comparando os cursos, no Brasil eles são mais técnicos, mais aprofundados. Nos Estados Unidos ele é mais amplo e mais variado. Lá é possível abrir novas possibilidades inclusive dentro da sala de aula.
Em uma universidade americana, quem estuda engenharia, por exemplo, pode fazer cursos de arte, de literatura e muitos outros. Faça isso, se exponha, saia da sua zona de conforto! Isso vai abrir a sua cabeça, ajudar você a pensar de uma maneira diferente.
Independentemente do sistema de ensino, mudar de país para estudar já é um diferencial porque o aluno tem que resolver seus próprios problemas no dia a dia e naturalmente está inserido em outra cultura, convive com uma diversidade maior de pessoas, o que ajuda muito a torná-lo uma pessoa mais flexível e adaptável.
Mas dá para ir além de tudo isso e apresentar um diferencial ainda mais atraente: faça um intercâmbio (study abroad program) em um lugar onde a cultura seja realmente diferente de Estados Unidos e Brasil.
Fuja dos destinos mais tradicionais. Vá para a Ásia, para a África, para lugares onde você realmente desconheça os costumes, a língua, o alfabeto.
Quanto mais você se afastar da sua realidade, mais adaptações você vai ter que fazer, mais aprendizado vai haver e mais versátil você vai se tornar. Este tipo de experiência é cada vez mais valorizada.
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